quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

CAP I

Ternurinha  não era o nome dela, mas sim o nome que denominei a ela.
Essa denominação lhe vestia muito bem.
Certa dia a peguei pensando na vida, estava longe ...
Passava ali em suas veias toda a melodia de uma nada fácil vida, tinha sons de chorinho saindo da vitrola.
Vi naquele instante os cílios da menina se agarrarem nas pálpebras e cortando as suas lágrimas em fatias.
Quem ali por perto vivia tratavam a todos daquele lar com forma arredia
Como se fossem uma escolha de vida ter essa nada mole vida.
Certa vez presenciei uma tia dela  acusando Ternurinha de ter pego um brinquedo de outro primo, ela tímida não se defendeu levou a culpa e engoliu a mágoa. Foi uma vida inteira se calando de acusações incertas,
Naqueles laços de sangue em que convivia sempre prevalecia os que tinham poder e “ai “dela se abrisse sua boca para se defender, “ai “dela!
Com o passar dos anos a cicatriz fez uma ponte sobre a ferida, porque feridas abertas são como abismos por dentro, E ela aprendeu a cantar todas as palavras que aqueles silêncio a engoliu.

Dai nasceu minha simpatia pela menina Ternurinha.


domingo, 19 de novembro de 2017

Sobre a cegueira...


Sim, estou convicta: Toda reação foi vítima de uma ação.
Por oras, coração é terra que ninguém pisa. A velha mania de pontuar apenas o que lhe convém e se convence que o lado B é ingrato.
Ingrato é sua visão obliqua perante os fatos não apurados e sim sufocados naquela dor que por anos causou.
Cresci acreditando no que me contavam... Pintaram e bordaram da minha inocência. Quem achava que era bom, não é. Quem abracei e protegi não merecia minha atenção e por quem dividi sorrisos , lágrimas e amor, hoje merece minha singela educação.
A fase da solidão ao se deparar com tamanha decepção foi positiva .Um portal de liberdade me invadiu e hoje sei que laços não são sangue e sim uma escolha.
Carrego minhas histórias nos olhos, eles sorriem para quem conhece e se importam menos ou quase nada com quem bem conhecem. Esses mesmos olhos muitas vezes inundam e secam coisas que só ele presenciou, busca no fundo desses olhos historias que não precisa contar .É um olhar honesto.
E esses mesmos olhos honestos por anos não soube enxergar, o que acontecia ali bem embaixo deles. Só queria enxergar as pessoas que olhei a vida inteira.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Nina

Seu riso me contempla e irradia dia a dia
colorindo minha vida
e me envolvendo com sua alegria.
Seu beijo é meu único mel tolerável
e me faz mais disposta e amável.
Ouvir sua voz a me chamar de mamãe
é a recompensa imensurável desse nosso amor
incontrolável!
Meu caminho nunca foi regado a flores nem água fresca,
é composto de puro rastejo.
Assim como a lagarta,
Um dia ganharei, asas.
E com este sorriso em meus lábios vou,
Voar...voar...voar...
Até a sorte encontrar!
Meu silêncio fala tão alto
que meu timbre fica mudo
e de mim sobram, apenas
soluços.
Isso não são gotas salgadas,
apenas reserva de uma pequena mágoa,
que em mim virou
águas passadas...
Eu falei sem pontos e vírgulas
sem querer interrogar
apenas exclamei
a vontade de exclAMAR.
Que venha leve
Seja leve
E me eleve...